ARTISTAS, APOIO A LULA E RECURSOS CULTURAIS: A COBRANÇA POR COERÊNCIA E TRANSPARÊNCIA

Entretenimento

Por Marcelo Rodrigues — RCNEWS
Artigo de opinião

O engajamento político de artistas merece o mesmo escrutínio dirigido a empresários, lideranças religiosas e outros formadores de opinião. Apoiar Lula, o PT ou qualquer outro candidato é um direito. Isso, porém, não impede a cobrança por coerência entre o discurso público e os interesses envolvidos.

Quando uma personalidade apresenta seu posicionamento eleitoral como expressão de preocupação com os mais pobres, é legítimo perguntar: essa mesma disposição aparece na cobrança por transparência, no combate à corrupção e na fiscalização do governo que ela apoia?

A crítica perde credibilidade quando muda de intensidade conforme o partido no poder. Quem exige responsabilidade de adversários também precisa cobrar explicações de aliados. A defesa da população deve estar acima da conveniência eleitoral.

CULTURA NÃO PODE SER MOEDA POLÍTICA

O financiamento cultural também precisa ser discutido com seriedade. Recursos públicos destinados à cultura devem atender ao interesse coletivo, com critérios transparentes e resultados verificáveis. Não podem funcionar como recompensa por apoio político.

Isso não autoriza concluir que todo artista favorável a Lula age para preservar benefícios. A existência de financiamento para um projeto, por si só, não comprova troca de favores nem explica a motivação eleitoral de seu responsável. Acusações dessa natureza precisam de documentos, identificação dos envolvidos e oportunidade de resposta.

Mas a cautela com acusações não elimina a fiscalização. A sociedade tem o direito de conhecer os valores destinados a projetos, os critérios de seleção, os beneficiários e a prestação de contas.

APOIO POLÍTICO NÃO DISPENSA RESPONSABILIDADE

A pergunta central é sobre coerência: artistas que mobilizam seu público em defesa de um candidato estão igualmente dispostos a fiscalizá-lo depois da eleição?

Popularidade não torna ninguém imune à crítica. O compromisso com a população se demonstra também pela disposição de cobrar o próprio aliado, denunciar irregularidades comprovadas e defender transparência — inclusive quando essa cobrança contraria interesses pessoais.

A cultura merece incentivo. O dinheiro público merece fiscalização. E a democracia exige que nenhuma dessas duas responsabilidades seja subordinada à lealdade partidária.

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