CASO “DARK HORSE”

Política

PRODUTORA DE FILME SOBRE BOLSONARO AFIRMA TER SIDO PRESSIONADA A FAZER DELAÇÃO PREMIADA

Karina Ferreira da Gama registrou em cartório declaração na qual relata três abordagens; empresária sustenta que produção do longa ocorreu dentro da legalidade

A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirma ter sido pressionada a firmar um acordo de colaboração premiada.

O relato foi formalizado por meio de uma declaração circunstanciada, assinada no início de setembro e com firma reconhecida em cartório. No documento, Karina descreve três episódios que, segundo ela, teriam ocorrido ao longo dos últimos meses.

A primeira abordagem teria acontecido em maio, quando a empresária recebeu uma oferta de apoio jurídico. De acordo com seu relato, durante o contato teria sido apresentada a possibilidade de uma colaboração premiada relacionada às investigações envolvendo a produtora e o financiamento do filme.

O segundo episódio teria ocorrido em 27 de agosto. Karina afirma que recebeu uma ligação intermediada por um amigo, durante a qual teria sido alertada sobre o risco de uma operação policial caso não aceitasse colaborar com as autoridades.

A terceira abordagem relatada pela empresária teria partido de um jornalista, que entrou em contato no início de setembro. Karina interpretou as conversas como novas tentativas de convencê-la a prestar informações em um eventual acordo de delação.

EMPRESÁRIA NEGA IRREGULARIDADES

A produtora afirma ter recusado todas as propostas por sustentar que não participou de qualquer atividade ilegal. Segundo Karina, sua empresa foi contratada para executar a produção cinematográfica e recebeu pelos serviços prestados.

A empresária também declarou que está colaborando com as investigações e que forneceu documentos quando foi solicitada pelas autoridades. Em manifestação divulgada à imprensa, afirmou não ter fatos criminosos para revelar: “Não tenho nada para delatar”.

As declarações de Karina representam a versão apresentada por ela e ainda precisam ser examinadas pelas autoridades. Até o momento, não foram apresentadas publicamente provas de que agentes públicos tenham ordenado ou participado das supostas pressões.

DOCUMENTO FOI LOCALIZADO PELA POLÍCIA FEDERAL

A existência da declaração ganhou repercussão nesta quinta-feira, 10 de setembro, após o documento ter sido localizado pela Polícia Federal durante uma operação de busca e apreensão em endereço ligado à empresária.

Informações publicadas pela imprensa divergem sobre a quantidade de páginas do documento: a publicação inicial mencionou sete páginas, enquanto outra apuração jornalística descreveu uma declaração de quatro páginas. Ambas, entretanto, confirmam que o texto foi assinado no início de setembro e teve a firma reconhecida em cartório.

A operação da Polícia Federal investiga suspeitas de desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares. Os investigadores apuram se verbas públicas destinadas a projetos de organizações ligadas à empresária teriam chegado, direta ou indiretamente, à produtora responsável pelo filme.

Karina Ferreira da Gama e o deputado federal Mario Frias foram alvos da operação. A apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. A existência da investigação não representa condenação, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

DEFESAS CONTESTAM AS SUSPEITAS

Karina sustenta que os recursos empregados na produção de “Dark Horse” tiveram origem privada e nega qualquer desvio de dinheiro público. A defesa da empresária afirma não haver irregularidades na atuação da Go Up Entertainment.

As circunstâncias das abordagens relatadas no documento, assim como a origem e a atuação das pessoas mencionadas pela produtora, deverão ser esclarecidas durante as investigações.

O caso amplia o debate sobre os limites de uma colaboração premiada. Previsto na legislação brasileira, o acordo deve ser voluntário e acompanhado por advogado, não podendo resultar de ameaça ou coação.

O Rede Católica News continuará acompanhando as investigações e apresentará as manifestações das autoridades e das pessoas citadas tão logo sejam divulgadas.

Reportagem: Marcelo Rodrigues
Rede Católica News — Informação com responsabilidade cristã
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